I'm Happy

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Infância no carrossel

Lembro-me de um carrossel... O carrossel da feira popular a que eu costumava ir na minha infância... Lembro-me como se tivesse sido ontem...das luzes ofuscantes e pitorescas; do cheiro do algodão-doce; dos palhaços sempre alegres e da sua roupa com cores garridas; dos sons das vozes alegres em dias faustosos e rejubilantes...e lembro-me do carrossel.
O carrossel era para mim a única coisa importante naquela feira.
Tinha um cavalo branco de crina azul que eu costumava "montar" sempre que lá ia.
Dias felizes, dias da infância...
Hoje voltei à feira. Era de esperar sentir nostalgia, mas a única coisa que senti foi um luto dentro de mim por saber que todos aqueles dias eram uma fabulação da minha vida; uma mentira!!!
As luzes agora surtiam um efeito melancólico e cinzento; o cheiro fétido do algodão era intolerável; os palhaços enfadonhos, sempre com a mesma farpela rudimentar provocavam-me vómitos; e as vozes outrora felizes soavam-me a uma dissimulação da verdade, um barulho ensurdecedor repleto de hipocrisia...e o carrossel...mantinha-se intacto - para mim suportava um sentimento intemporal.
Mas a infância é a fase da insipiência da mente, e todos aqueles dias supostamente "felizes" passados no carrossel foram uma farsa!!!
Os olhos do cavalo ostentam agora suásticas; a sua crina azul é agora um acumulado de lascas sem cor; e agora o seu branco vai passar a preto porque eu o vou incinerar!!!
As térmitas da verdade "consumiram" toda a estrutura pretensiosa do carrossel, e com ele todas as suas falsas esperanças.
A felicidade só existe se for para sempre...
Prefiro ser sempre infeliz a ter a infelicidade de perder o que me faz feliz...
O carrossel ardeu. Eu continuo infeliz...

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