Falava o Historiador com o "Idealista" sobre os métodos pelos quais se alcançaram mudanças e se fizeram revoluções.
O Historiador na sua retórica baseada em "factos" aponta o dedo o "Idealista" afirmando com toda a convicção:
- Foi o devaneio dos loucos idealistas que suportam todas essas utopias que manchou as Eras e os Séculos de sangue e massacres. Foram essas revoluções extremistas que limitaram a Declaração dos Direitos Universais do Homem. Os loucos idealistas são a escória difamadora de toda a intemporalidade histórica!
E o "Idealista" retorquindo:
-Pois caro senhor, mas foram essas utopias materializadas que lhe deram a profissão que o senhor exerce. E se elevais o "idealismo" dos "loucos" ao patamar de tragédia então sois um dramaturgo, porque toda a História foi construída por esses "sonhadores", e esses ideias de Liberdade e Igualdade que tanto enalteceis dos Direitos da Humanidade apenas foram conquistados sob a égide dessa "loucura" que tanto descriminais e da qual escarneces.
Respondendo o Historiador na sua arrogância de "sábio" e consciente dos factos:
- Então deixe-me refutar o seu argumento com uma pergunta pertinente: É legítimo exterminar inocentes da face da Terra para obter as tão desejadas revoluções sociais?
O "Idealista":
- Meu senhor, essa sua questão apresenta várias falhas, tanto éticas como históricas. Primeiramente, podemos colocar essa hipótese de "extermínio". É um facto que em revoluções de "loucos" como o senhor os apelida tenham existido mortes, mas não aniquilações massivas. Pode dar o exemplo dos fuzilamentos da Revolução Cubana; dos "crimes" de Robespierre, Marat e dos sans-culottes; da ditadura da Coreia do Norte... Mas deixe-me perguntar-lhe: Qual é a legitimidade do embargo norte-americano a Cuba? E onde está a justiça na Sociedade de Ordens da França do século XVIII? Para não falar da escravatura no antigo Império da Coreia e da posterior anexação pelo Japão...
Morreram uns milhares para que existissem revoluções e para existir supremacia da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade...mas antes disso o senhor nem os manuais de História fazem qualquer referência aos milhões de pessoas que o Capitalismo e os regimes ditos "liberais" e "democráticos" mataram á fome!
O senhor Historiador convicto nos seus "factos" históricos:
-É esta a beleza da História. Não podemos falar em "certo" ou "errado", "bem" ou "mal"... Mas o que também é um facto é que neste Mundo Contemporâneo, no Ocidente existem melhores condições de vida e são respeitados os Direitos Humanos. Nos regimes democráticos actuais existe Justiça e Igualdade nos direitos e deveres... São estes ideias republicanos e democráticos que mais se aproximam da perfeição.
Enquanto os idealismos sempre se revelaram uma utopia. Apenas deram passos atrás e degradaram a Humanidade.
O "Idealista", cansado de tais blasfémias:
-Sabe meu senhor...o conformismo sempre foi um mal comum aos ocidentais, infelizmente. Mas os conformistas...esses apenas não encontraram ainda a tão desejada emancipação política. Mas os "Contadores de Factos" como o senhor sabem muito bem aquilo ao que chamam de "Utopia" e "Idealismos" são bem possíveis, e assim lhe chamam para assegurar os vossos interesses! Vou repetir as minhas palavras anteriores: SE A LUTA PELA LIBERDADE E PELA IGUALDADE DOS POVOS SÃO UMA TRAGÉDIA, ENTÃO OS HISTORIADORES NÃO PASSAM DE DRAMATURGOS!!! Porque a História está alicerçada na luta pela emancipação dos povos e pela procura d'O Mundo Livre e Justo!!!
O Historiador abre a boca para mais uma vez blasfemar.
O "Idealista" que afinal era um lunático realista levantou-se, tirou da sua jaqueta a Glock e aniquilou o Historiador com 3 tiros:
-Este pela Verdade! Este pela Revolução! E este...simplesmente porque sou maluco e porque o senhor não merece morrer, mas eu já estava farto da conversa.
(baseado em parte no Manifesto do Lunatismo e na minha grande e espectacular ideologia)
I'm Happy
terça-feira, 12 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Sonhar a Cores
Dizem que sonhamos sempre a preto e branco, mas sonhar a cores neutras torna o próprio sonho neutro e tira-lhe toda a sua vitalidade e essência. Sonhar sem cores não é sonhar, é exercer o poder da mente sobre a monotonia da memória encarcerada no subconsciente oprimido pela banalidade consciente.
Até os chamados pesadelos, independentemente dos seus efeitos obscuros, não são sonhados a preto e branco: no mínimo são uma espécie de film-noir, com os seus efeitos decadentes relembrando a Depressão, mas sempre com a cor explícita dos lábios vermelhos da vampiresa escorrendo sangue escarlate no seu poderio e magia; o tom amarelado da luz da Lua, o guia nas trevas; o azul-turquesa nos olhos da condessa que nos absorve a energia fitando-nos penetrantemente... porque até os pesadelos suportam um pouco de cor.
Não é possível sonhar a preto e branco, porque é dos sonhos que nasce a vida, e em toda a decadência e nostalgia que nela possam existir irá sempre manifestar-se uma réstia de esperança e de cor. O sonho comanda a vida e nós sonhamos a Liberdade a cores.
Até os chamados pesadelos, independentemente dos seus efeitos obscuros, não são sonhados a preto e branco: no mínimo são uma espécie de film-noir, com os seus efeitos decadentes relembrando a Depressão, mas sempre com a cor explícita dos lábios vermelhos da vampiresa escorrendo sangue escarlate no seu poderio e magia; o tom amarelado da luz da Lua, o guia nas trevas; o azul-turquesa nos olhos da condessa que nos absorve a energia fitando-nos penetrantemente... porque até os pesadelos suportam um pouco de cor.
Não é possível sonhar a preto e branco, porque é dos sonhos que nasce a vida, e em toda a decadência e nostalgia que nela possam existir irá sempre manifestar-se uma réstia de esperança e de cor. O sonho comanda a vida e nós sonhamos a Liberdade a cores.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Tentativa de caligrama (1ª)
O velho acordou. Os aforismos que nasceram na cripta iluminada pela sabedoria do concrito eremita metamorfosearam-se mais ainda em pensamentos isolados do povo néscio e da restante escória obtusa. O eremita, indignado por tal indigência da razão dos comuns, voltou ao seu eremitério. O mundo continuou inócuo na sua estupidez.
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