I'm Happy

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Dia em que Morri de Novo

Profetas, videntes, pais ou o que seja, profano ou sagrado. Já não há nada. Ódio ao não ter sentido e ao não saber o que sentir. Fico feliz por estar feliz, fico triste por estar triste. Fico feliz por fazer outros felizes, não sei o que fico quando os faço tristes. Não sei nada e nem sei se o quero saber. Nada vale a pena se não souber; tudo vale a pena se não existir. Eu existo e ainda assim sou ninguém. Alguém me disse que era alguém , mas algo de ninguém permaneço. Ninguém sem ninguém. Eles profetizaram, previram ou aconselharam, e no entanto o futuro está morto. O meu nome é Passado estagnado não presente e o Nada é o meu futuro. Alguém de nada sem futuro, e não tenho razão para o ser. Se não tenho razão não sou racional, ou idiota demais para sofrer sem sofrimento. Decadência do mundo ou minha decadência? Os dois, só um. Quem é maior? O mundo ou Eu?
Eu: o mundo existe e Eu não. O mundo quer existir e Eu não. Se existo sem querer sou maior do que sou, mais pequeno do que quero ser. Sou nada descontente por ser demasiado idiota para me contentar. Eis o meu mundo: Eu presente sem passado, sem futuro. Nada! 

sábado, 3 de março de 2012

Um Horror de História de Terror (parte 1)

As paredes amareladas do quarto ao fundo do corredor, ontem escorriam miséria das suas múltiplas falhas. Um cigarro pousado na inércia da sua cinza na matina era uma beata. Nada tinha ardido: mas a madeira do soalho de pinho, ainda assim, crepitava nas suas lamúrias por cada metro quadrado. Todos passaram a madrugada sem saber o que acontecera. E quando digo “todos”, digo ninguém, pois ninguém habitava aquele antro ao fundo do corredor, do último prédio da rua, nos confins do mundo. Assim repousava o quarto andar, distante do terceiro, do segundo e do primeiro, longe do rés-do-chão, onde semanalmente beatas definhavam a terra batida do quintalejo das traseiras, “bramando” com as beatas de meios cigarros fumados com rancor pela cristandade do crucifixo pregado profanamente na porta do quarto ao fundo do corredor, conspurcando a sua heresia. A beatas…irmãs de “Deus”, o conspirador do Universo, criador de bens maiores, comendador da caridade, senhor da misericórdia, havia-lhes dado a missão de auxiliar a velhaca concubina do rés-do-chão, que, sem nunca ter tido na vida qualquer labor digno de honra, desfrutava comodamente da sua reforma antecipada por lhe ter sido decepado o pé num dia solarengo, aquando, com o seu falecido conjugue, “Barão da Cornualha”, infame explorador do copo vazio, caçava perdizes no “modesto” matagal dentro da sua “humilde” propriedade. Desafortunada mulher…havia o marido, ébrio depois de um dia de cordialidade amistosa com companheiros e “amigas” na bodega e na estalagem, chegar a casa esfaimado no seu lúgubre apetite carnal e lhe tentar “profanar” as ceroulas. Optou pelo desdém à fome do homem, e acabou com um tiro de carabina no pé esquerdo. Divagando, divagando, ia a velhaca infernal contando pesetas para o que o leiteiro lhe cobrava, enquanto as irmãs pregavam maldições benditas para cima. No fundo nunca cheguei a entender se pregavam maldições ao Céu se ao Quarto que alguém dissera amaldiçoado, desde que o esquizofrénico se havia enforcado fazia oito anos. Pena o pobre demente não suportar o cheiro a nicotina, senão estaria resolvido o “mistério” das beatas de cigarro para as beatas do Convento. “Quem Demos continua a jogar beatas pela janela!”- ouvia-se a voz sibilante de uma das irmãs, todos os dias - “É obra de Satanás!”. E o quarto do quarto andar vazio permanecia, enquanto o quintalejo imundo continuava pelas impelidas beatas provindas de cima.