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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Resposta ao senhor João Gusmão relativamente ao subjectivo que afinal não era

"Deus está morto !!!", ou pelo menos espero bem que esteja, confiando nas asserções do senhor Nietzsche.
A verdade é que a Humanidade é o "objecto" mais imperfeito alguma vez criado pelo senhor Deus, e este morreu deixando ao cuidado da Mãe Natureza o Diabo em pessoa (literalmente em pessoa).
Lá para os confins da subconsciência mundana; nas trevas em que não existe uma ínfima luz, nem aquela ténue luz da Lua; lá para os caminhos que não estão nos mapas nem em cartas astrais conhecidas pelos mortais está a razão pela qual o senhor Deus ou quem quer que seja deu existência a esta raça funesta e atroz.
Criou aurora e crepúsculo; terra e mar; acções e argumentos...
Depois criou o Homem: que denegriu a alvorada e tornou mais clara a noite com artifícios luminosos; que penetrou a terra e conspurcou o mar; que destruiu e suprimiu as demais criações e das palavras fez mentiras.
A Humanidade não tem lógica, nem a lógica tem lógica porque foi o Homem que a criou.Nada daquilo que é humano faz sentido, e não me reduzo ao primitivismo, mas a razão no limite da lógica que encontrou o senhor Nietzsche...é bastante louvável para um mero mortal. Assim falava Zaratustra e com toda a razão humana e divina quando diz que "outrora fôsteis macacos, e mesmo no presente, o homem é mais macaco que qualquer macaco".
Queimem a extensa obra de Darwin, é uma verdade inconveniente para o Criacionismo mas é ao mesmo tempo uma mentira para a humanidade. O Homem não descende dos macacos; os macacos descendem do Homem - o macaco, esse rudimentar primata, feita a analogia chegamos ao consenso dos consensos:
Se o Homem é aquilo que é, então o macaco é um Super-Homem !!!
Eu sou humano caro senhor...e como tal não gosto de ter culpa...mas também odeio.
E não quero admitir a minha culpa de odiar!!! Não fui eu quem abriu a Caixa de Pandora, e muito menos eu quem a criou. Os Helénicos chamaram Zeus ao criador e a ele lhe chamo Deus (ou chamava se não estivesse morto). Foi este quem inventou a Culpa e esta lhe é atribuída pela deformação da Humanidade.
A Humanidade é um aborto que não morreu!!!
Diana teve pena do nosso ser inacabado e nos acolheu no seu paraíso (que infernalizámos)!!!
Nós vivemos pela misericórdia e piedade dos Deuses...Mas o Deus pai morreu...e nós prosperamos nas trevas.De quem é a culpa? Do Morto que nos criou...
Se Deus existe eu odeio-o; se não existe odeio a Humanidade.
Mas Deus está morto e assumiu a sua culpa...afinal Deus era o mortal dos imortais, e talvez não tivesse culpa porque os mortais são pecaminosos...e Deus era mortal.
Sucumbiu perante a sua natureza e criou o Homem - o seu maior pecado.
Pecado dos pecados é suportar o ódio e manter-se céptico á Fé.
Se tiver fé em Deus tenho fé em mim, pois hoje sou mortal e quando amanhã morrer morrerei por mim e pelos meus irmãos, pois não foi Deus Homem quem criou o Ódio, esse é obra de sua natureza pecaminosa.
Deus está morto; a Humanidade continua bem viva. Nós somos o seu legado, seus filhos...
Somos o novo Deus, ignorante e subjectivo neste mundo. Somos a Lilith do Éden e nos auto-consumimos.
Mas a realidade presente é relativa, e enquanto houver Fé, existirá esperança quanto ao extermínio do Ódio.
Se aceitar um Deus for remédio santo para combater o demónio do Ódio...pois eu sou crente.

(mais iluminado quanto ao subjectivo senhor Gusmão?)

5 comentários:

  1. Caro senhor Afonso Beaumarchais, fique atento a este assunto porque vou-lhe responder em breve.
    Atenciosamente

    Eu

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  2. Resposta a Afonso de Beaumarchais sobre a resposta à minha acusação de subjectividade.
    Caro Beaumarchais, penso que a sua dúvida é deveras democrática para um ser pensante, efémero e imperfeito. Que fado tão triste o nosso...
    Relativamente à existência ou desistência de Deus não tenho nada a acrescentar, isto porque, essa reflexão está demasiado presa à terra e como tal, só Deus Pan lhe poderá responder.
    Permita-me salutar de forma breve e concisa este problema que nunca o foi, " Tudo o que é verdadeiramente sábio é simples e claro" Maximo Gorky.
    Todos os que vivem entre nós pensam Deus de maneira diferente mas ele sempre foi o mesmo. O cerne da questão prende-se, sim, na atitude empírica e “sexual” que assumimos para com este termo, ou seja, ele só existe se eu lhe der significado, ele só faz alguma coisa se eu achar que ele faz, ele só é mau se eu pensar na perna que nunca deu a um amputado, ele é bom e misericordioso se eu pensar na fome que não passo, em suma, ele é aquilo que eu acho que ele é…
    Caro Beaumarchais, mais uma vez afirmo ir mais além do que esta retórica de algibeira, Deus é muito mais do que isso, é tudo e não é nada.
    Vejo no seu discurso, se me permite, uma côdea de sofrimento, parece quase culpar Deus pela poesia disfórica que nos habita. Não culpe Deus, por favor.
    Neste momento, uma imagem cinestésica lavrou-me a cabeça, lembro-me de um poema de Cesário Verde que de certeza conhece, intitula-se “ Sentimento dum Ocidental”. Neste poema o sujeito poético deambula por Lisboa observando e pensando, acaba por resumir aquilo que de pior a sociedade espelha. Critica-a. É o que o caro amigo faz, mas deixe-me chamar-lhe de Ocidental, as suas dúvidas são justas e em certa parte concordo consigo, mas, existem outras culturas, e consequentemente, não projectam o mal da terra em Deus mas em ovelhas ou espíritos ou em antepassados, serão estas projecções da maldade tão justas como a sua? Receio que sim.
    Concluindo senhor Beaumarchais, não tenho respostas, apenas um saco cheio de perguntas, tantas quanto a dimensão que dá a Deus.
    Terminando pergunto-lhe:
    Não acha bastante subjectivo descarregar grande parte dos problemas em algo que não se vê, não se sente, não tem cor?
    Não acha bastante subjectivo usar a palavra Deus?
    Não acha que estamos condenados à subjectividade para fazer acusações tão grandes?
    (Só conheço a história a partir do paleolítico, para trás nada sei, posso então dizer que o espaço em direcção ao infinito está dentro da barriga de um coelho, estranho? Prove-me que não é verdade…)

    Sem demais demoras espero atentamente a sua resposta. O sempre seu:
    Gusmão Pinto

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  3. Caro senhor João Gusmão, qual o objectivo de fundamentar dúvidas em respostas? Continuo apologista do cepticismo pirrónico...o conhecimento tanto a priori como a posteriori é impossível, e até levo essa reflexão ao extremo de afirmar que até a ciência nada tem de concreto...
    Nunca teremos a tão desejada resposta, nem a Teologia nos irá responder, nem nada no espaço/tempo - Deus é algo imaterial.
    Todas as minhas palavras devem ser interpretadas de forma "teatral", e criticando agora o método científico, todos nós somos regidos por uma infinidade de conceitos,,,pois deixe-me que lhe diga, a Era dos conceitos está morta; os conceitos apenas servem para dialogar; nada neles suporta lógica. Um conceito é sempre relativo, até porque não podemos falar d'O Conceito, mas sim de infinitos conceitos para um Objecto ou Matéria espiritual.
    A Metafísica não faz sentido e é ilógica na sua limitação humana; os dicionários, enciclopédias e outros registos de conceitos são puros símbolos de teorias criadas da dúvida intemporal...e lhe garanto, essas bases não vão ser jamais destituídas.
    Mas agora reflectindo sobre o assunto Deus (que de teológico nada tem para mim)...concordo de forma absoluta quando o senhor diz:
    "Todos os que vivem entre nós pensam Deus de maneira diferente mas ele sempre foi o mesmo."
    Pura verdade...e para lhe responder de forma breve, o meu "Deus", que de universal nada tem, é o Deus da Destruição, o Criador de Demónios; o Feiticeiro da Vida-Morta; o Deambulante da Alma...
    O meu, e apenas meu conceito de Deus é um "motivo"; uma pseudo-criação material para dispersar o meu Ódio, que infelizmente é o que mantém encarcerada em mim a Liberdade que desejo emanar.
    Se não acreditar num Deus, e digo isto de forma explícita e literal, vou acabar por matar o máximo de pessoas que puder...o meu espírito está sedento de sangue; sangue humano...
    E sim, nota-se de qualquer forma,o meu corpo está "exangue" de felicidade...
    Se não crer num Deus não serei apenas eu o infeliz nesta razão supérflua...a minha raiva irá expandir-se e aniquilar muitas consciências que ainda não passam de fetos maiores-de-idade.
    Deus não é salvação de nada - é o meu atenuante; a minha droga...até porque no fundo tenho uma única certeza; a certeza que foge da dúvida - Deus é uma Mentira...

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  4. Caro Beaumarchais:

    Aceita encontrar-se mais uma vez naquele café histórico onde as tertúlias inflamadas se misturam com o olhar furtivo do castelo, onde as discussões indomáveis correm como o Tejo sem olhar para trás.
    Naquela mesa onde se juntam conhecidos e desconhecidos, naquela mesa onde as palavras trepam bocas e ganham força unindo-se no papel.
    Se aceita, aponta para que dia e hora?
    Grato pela atenção:
    Eu

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  5. Enquanto a consciência não estiver grata pelas conformidades das limitações da vida nada me dará mais prazer que um simples café num fim de dia, em plena tempestade de palavras - criações de método.
    (Não postarei nada temporal que coloque em risco a santa conspiração)
    ;)

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