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quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Arte de Construir

O toque rugoso e brusco; a imagem do trabalho; mil palavras transmitidas num só gesto...
A Mão: a representação da arte, do ofício, da concepção material...
Mais de que um simples acessório para o ser humano, foi das mãos de milhares de homens que se ergueram civilizações, que se fizeram revoluções, que nasceram todas as estruturas, que se criou o mundo moderno.
A Mão: um tributo á criação.
Mas não podemos dizer que todas as mãos são iguais...longe disso. Não basta ter cinco dedos, unhas, impressões digitais... as mãos distinguem-se por aquilo que já conceberam. Podemos facilmente distinguir uma mão macia de uma mão rude, uma mão fraca e debilitada pela inércia de uma mão forte e resistente resultante do trabalho, uma mão incapacitada pelo vício de uma mão construtiva, de uma mão operária.
A mão incapacitada pelo vício, a mão pecaminosa, a mão amaciada pelo toque nos frutos do trabalho da mão operária...essa mão que de nada serve, inútil, incapacitada, bem que poderia ser decepada pois não faria diferença nenhuma. Essa mão não passa de um acessório para aquele que a possui. Com ela esse indíviduo nada realiza, nada constrói.
Falam esses "manetas" de ética e moral, de pensamentos coerentes, de teorias... Teorias não passam disso mesmo. De que serve formá-las se não têm intenção de as conceber, de as por em prática?! Falam demais, realizam pouco. No fim acabam por perceber que não são apenas as suas mãos que estão "decepadas" mas que também a sua consciência lhes foi tirada há muito tempo.
A mão operária, rude e severa, escrava do trabalho... Dirão os filósofos, os eruditos, os grandes pensadores que essa mão pertence a eunucos, a dementes, a asnos...
Mas a realidade é adversa, completamente diferente da concepção literária dos teóricos, porque enquanto eles apenas formulam teorias e dicutem ideias, enquanto as suas mãos estão incapacitadas, as mãos dos operários materializam e põem em prática ideias.
Esses intelectuais pensam muito e nada fazem...mas um operário: esse pensa com as mãos.

3 comentários:

  1. diz-me que nao vais fazer do teu blog um género de propaganda política

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  2. não, não vou...
    é apenas uma introdução ao blog e a origem do nome
    o resto com o tempo virá

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  3. :) está muito bem escrito! viva o proletariado

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